Antropologia e Alimentação em Barcelona

No V Congreso Internacional do Observatori de l’Alimentació & Fundació Alícia com a temática Patrimonios Alimentarios, Turismo y Sostenibilidad, que aconteceu em junho em Barcelona,  houve também sessões paralelas de comunicações  que tratavam de apresentar estudos e projetos práticos sobre antropologia e alimentação.

As apresentações foram dividas nos temas “dimensões simbólicas, rituais e identitárias”, “produtos e processos alimentares”, “patrimônio alimentar e a gastronomização como recursos turísticos”, “Sustentabilidade e políticas públicas agroalimentares” e “Gastronomização e patrimonialização em contextos globais”. Foram mais de 70 apresentações e debates em cada um desses dos dois dias na Universitat de Barcelona.

No primeiro dia, 19 de junho,  apresentei minha metodologia de trabalho que relaciona cozinha e pesquisa científica, que aplico no Centro Universitário Senac Campos do Jordão desde 2010. Parto de metodologia pedagógica freiriana propondo um processo educativo que favoreça a contextualização do aprendiz em sua realidade local. A alimentação, como prática social,  permite esse tipo de processo pois reflete formas de relacionamento do próprio homem com o meio ambiente e a natureza. Como resultado, entre os anos de 2014 e 2017, foram documentados mais de 130 receitas e usos culinários de ingredientes dos arredores do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira, como café (Coffee arabica), banana (Musa paradisíaca), uvaia (Eugenia pyriformis Camb.), cambuci (Campomanesia phaea), javaporco (Sus scrofa javaporco), mel (produto da Apis milifera), arroz (Oryza sativa), feijão (Phaseolus vulgaris), fruta-pão (Artocarpus altilis), içá (Atta cephalotes), limão-cravo (Citrus limonia Osbeck), mandioca (Manihot esculenta), milho crioulo (Zea mays), ora-pro-nobis (Periskea aculeata), cogumelo Shitake (Lentinula edodes (Berk.) Pegler), azedinha (Rumex acetosa L.), nêspera (Eriobotrya japonica, Lindl), pimenta-rosa (Schinus terebinthifolius raddi.), tomate-de-árvore (Solanum betaceam), taioba (Xanthosoma taioba), pinhão (Araucária angustifólia), atemóia (Annona cherimolia Mill x Annona squamosa L.), abóbora paulista (Curcubita mochata), alho negro (Allium sativum fermentado), queijo artesanal, entre outros (para saber mais clique aqui).

No dia seguinte, expus meu projeto de mapeamento preliminar de iniciativas que se relacionam ao sabores e saberes culinários da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba paulistas (cultivo, produção, elaboração, centros de investigação, etc). Além disso, houve contextualização desses locais quanto ao seu passado de importância no ciclo do ouro, do café, da referência em tratamentos de saúde até sua consolidação como destino turístico na década de 80 e posterior declínio a partir dos anos 90. 

A partir do uso de uma ferramenta online, o mapeamento permite o acesso livre ao conjunto de propriedades que poderão ser úteis para a consolidação de um turismo sustentável de base comunitária. Como resultados, já foram identificadas 58 locais presentes nas cidades de Campos do Jordão (17), São Bento do Sapucaí (8), Santo Antonio do Pinhal (11), Pindamonhangaba (6), Guaratinguetá (3), Cunha (2), Silveiras (2), Taubaté (2), Caçapava (1), Bragança Paulista (1), Atibaia (1), Espírito Santo do Pinhal (1), Joanópolis (1) , São Francisco Xavier (1) e São José dos Campos (1). Para saber mais entre em contato aqui!

Veja aqui os Anais do V Congreso Internacional do Observatori de l’Alimentació & Fundació Alícia Patrimonios Alimentarios, Turismo y Sostenibilidad.

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